sexta-feira, 22 de abril de 2011

Nise da Silveira



Estou lendo a coleção "Grandes Cientistas Brasileiros", uma publicação da editora Casa Amarela. São 12 fascículos que contemplam 24 cientistas. Desses 24, somente 3 são mulheres.
Uma delas é a psiquiatra Nise da Silveira, alagoana que nasceu em
1905 e morreu em 1999.
Nise era filha única de uma família de classe média e não queria seguir a carreira de pianista como a mãe. Por isso, foi com seus primos para Salvador para fazer medicina, ingressando na Faculdade de Medicina da Bahia aos 15 anos. Foi a primeira mulher a cursar medicina na Bahia. Seu trabalho de conclusão de curso, aos 21 anos, é sobre a criminalidade entre as mulheres baianas (ela estudou casos de ladras, prostitutas e assassinas no presídio feminino de Salvador).
Ao se formar, vai para o Rio de Janeiro e se mantém nos primeiros anos fazendo teses e dissertações para outras pessoas. Em 1933, passa em um concurso público e começa a trabalhar no "Hospital Nacional de Alienados", mais conhecido como Hospício da Praia Vermelha. Também nessa época, participa de reuniões do Partido Comunista e, por causa disso, é presa em 1936 pela ditadura Vargas. Passou 15 meses na prisão, onde conheceu Graciliano Ramos e Olga Benário Prestes. Aliás, Graciliano cita Nise várias vezes em seu livro "Memórias do Cárcere".
Ao sair da prisão, é proibida de exercer a profissão e viaja com seu companheiro durante 7 anos por vários estados do Brasil.
Quando em 1944 é readmitida no serviçõ público, fica chocada com as novas técnicas utilizadas no tratamento de doentes mentais: choques elétricos, insulinoterapia e lobotomia.
Foi aí que decide optar pela terapia ocupacional e a arteterapia, pouco valorizada pelos psiquiatras. Em 1946, consegue inaugurar um ateliê de pintura e modelagem e faz mais tarde uma exposição com os trabalhos dos internos. E aí, em 1952, dado o grande número de obras, criou-se o Museu do Inconsciente, que hoje possui cerca de 300 mil obras.
Nise percebeu que esquizofrênicos têm enormes talentos artísticos e usa isso a favor do tratamento. O incrível é que, na época, psiquiatras contrários a arteterapia, diziam que Nise, à noite, trocava as obras feitas pelos loucos por outras feitas por grandes artistas! Isso que eu chamo de preconceito.
Além da arteterapia, Nise inovou utilizando animais como coadjuvantes no tratamento dos internos.
Hoje em dia, há grupos que defendem a extinção dos manicômios apoiados nas ideias e estudos de Nise.

Nise da Silveira: uma incansável mulher a favor da vida digna a todos.

Denise

1 comentários:

Pedrita disse...

é muito bom conhecer histórias de ilustres da ciência que dirá mulheres. beijos, pedrita